Phantasy Star: RPG clássico completa 33 anos

Por Wren Core
Especial para a comunidade PSO2 Brasil

Desde que a Phantasy Star Brasil e a PSO2 Brasil firmaram um acordo de parceria, estou devendo escrever algo a vocês. E como o grupo que gerencio tenta abarcar todos os lançamentos dessa franquia, aproveito o espaço para contar um pouco sobre a origem de forma bem resumida.

A data não poderia ser melhor! Essa semana está fazendo 33 anos do primeiro lançamento de Phantasy Star no Japão. E de cara uma curiosidade: Os rivais Phantasy Star e Final Fantasy tem só uma semana de diferença, sendo ambos lançados no mesmo ano em dezembro. E isso não foi por acaso, como verão abaixo.

Voltando no tempo, estamos em 1986, a empresa SEGA tenta abocanhar uma fatia do mercado japonês de consoles, mas junto com TODA a concorrência, está sendo soterrado pelo meteórico Famicom, o console da Nintendo, conhecido como NES no ocidente. A SEGA tem a vantagem de terem hardwares melhores no seu MARK III e Master System, mas isso não quase não importa. A Nintendo conseguiu os melhores contratos leoninos com desenvolvedores terceiros. Algo que só será revisto quase 10 anos depois. Fora que os jogos da própria Nintendo estavam as graças do público. No meio desse cenário, uma pequena desenvolvedora de games conhecida como Enix, lança um jogo aos moldes de Ultima; Dragon Quest. Não foi o primeiro JRPG, mas foi o primeiro “JRPG Blockbuster” se podermos chamar assim. O jogo lançado em maio de 1986 causou um verdadeiro rebuliço no Japão, algo que se repetiria com passar dos lançamentos de suas continuações.

33 anos de Phantasy Star!
Imagem de anuncio numa revista japonesa em 1987.

Dragon Quest está para os RPGs eletrônicos, como Super Mario Bros está para as plataformas. E isso foi sentido em toda indústria nipônica. Diversas outras empresas tentaram emplacar um sucesso similar, umas conseguiram como a Square com Final Fantasy e outras não. Nuam pesquisa feita entre os consumidores, proprietários do Master System, o jogo mais aguardado por eles era, adivinhem, um RPG. A SEGA como desenvolvedora de hardware, arcades e softwares não tinha recursos num tempo tão curto para produzir algo similar a Dragon Quest. Mal saberiam que fizeram depois, um trabalho tecnicamente superior.

A missão foi dada: Fazer um jogo que competisse com Dragon Quest, dentro de um prazo de meses. Os executivos, o time de arte e programação se juntaram para estudar o caso e definir o que poderia ser feito para baterem de frente com a concorrência. O primeiro ponto era a equipe para encarregar do projeto. Seriam todos “Ases” e veteranos na empresa, estúdio AM2. Segundo, o jogo tinha de ser mais avançado nas mais diversas mecânicas para fazer frente aos rivais. Terceiro, não poderia ser feito pensando em RPGs clássicos. A ambientação tinha de ser diferente para agradar um nicho ainda não explorado, mas que gostasse desse tipo de jogo.

A ambientação, estética visual talvez fosse o principal diferencial gráfico para atrair o público. Estávamos nos anos de 1980. O cyberpunk era o gênero que mais vendia dentro do mercado de ficção cientifica e fantasia. Em paralelo a isso, Star Wars havia estourado nos cinemas ha pouco tempo. Não pensaram muito, o jogo seria uma aventura espacial de fantasia científica, protagonizado por uma personagem feminina. Um diferencial a mais, já que nos demais jogos os personagens masculinos roubavam as cenas. A história possuiria uma dose bem moderada de distopia, mas seria bem maniqueísta: Bem contra o mal. Porém, com sutilezas para enganar o jogador, pensando que o inimigo final fosse um, e não algo maior por trás.

Definido a parte de enredo, trama e personagens... A equipe de programação se debruçou a estudar mecânicas para criarem um jogo diferenciado. O principal problema era codificar o trabalho artístico dos colegas, num cartucho com apenas 4 megas de espaço, que já era bastante considerando outros lançamentos de Mark III e Master System. As ideias não paravam de vir, mas o time de programação cada vez mais se limitava devido as condições de trabalho. Porém no meio disso veio labirintos em 3D, cutscenes, animação de monstros, múltiplos terrenos em batalhas, a possibilidade de viajar para outros planetas no jogo, uso de veículos diferentes e muito mais.

Depois de um árduo trabalho, o jogo então batizado de Phantasy Star foi lançado dia 20 de dezembro de 1987. E, apesar do pouco espaço no meio da concorrência, a SEGA com seu time do estúdio AM2 conseguiram lançar um inovador RPG que nada devia aos rivais e caiu no gosto de seu público e da crítica. Até hoje, é considerado um dos jogos mais importantes já lançados, deixando um legado longevo tanto pela empresa quando pelo público.

Até ano passado, já haviam sido lançados 25 jogos, remasterizações e coletâneas envolvendo a marca, para os mais variados suportes. Paralelamente, se teve 2 séries animadas, diversos álbuns em CD, uma obra teatral e uma quantidade expressiva de títulos impressos.

Saudações de Algol!

ass. Wren Core